Impacto das redes sociais na ansiedade
Descubra como as redes sociais podem influenciar na ansiedade, comparação social e o sono, e conheça estratégias para uma utilização mais equilibrada


Impacto das redes sociais na ansiedade
As redes sociais fazem parte da nossa vida quotidiana. Permitem manter relações, encontrar informação e participar em comunidades, mas também podem influenciar o nosso bem-estar emocional.
Na minha prática profissional, encontro este tema com frequência nas consultas. Muitas pessoas relatam dificuldade em desligar-se do telemóvel, comparação constante com os outros, preocupação com a opinião alheia ou ansiedade depois de utilizar determinadas plataformas.
A investigação sugere que o impacto das redes sociais depende menos do número de horas e mais da forma como são utilizadas, dos conteúdos consumidos e das consequências na vida diária. O uso problemático parece estar mais associado ao sofrimento psicológico do que a uma utilização regular e controlada.
De que forma podem aumentar a ansiedade?
Comparação social
Nas redes sociais vemos sobretudo momentos selecionados da vida dos outros: viagens, conquistas, relações felizes ou mudanças físicas. Comparar a nossa vida real com essas imagens pode gerar sentimentos de inadequação, insatisfação e baixa autoestima.
Necessidade de aprovação
Os “gostos”, comentários e partilhas podem proporcionar reconhecimento. Porém, quando começamos a depender dessas reações para nos sentirmos valorizados, podem surgir insegurança e preocupação constante.
Medo de ficar de fora
O chamado FOMO, ou medo de ficar de fora, leva algumas pessoas a verificar continuamente as redes para não perder eventos, notícias ou experiências importantes. Esta necessidade de estar sempre atualizado pode aumentar a inquietação.
Conteúdos negativos
Notícias perturbadoras, conflitos, cyberbullying e desinformação podem provocar tensão e cansaço emocional. A exposição repetida a este tipo de conteúdo pode ser especialmente difícil quando já existe ansiedade.
Sono prejudicado
Utilizar as redes sociais até tarde pode atrasar o momento de adormecer e manter a mente estimulada. As notificações, as mensagens e a dificuldade em parar podem afetar o descanso. Dormir mal, por sua vez, pode tornar mais difícil lidar com as preocupações.
O que pode ajudar?
Observe como se sente antes e depois de utilizar as redes sociais.
Desative notificações não essenciais.
Evite consultar o telemóvel durante as refeições e na última hora antes de dormir.
Reserve diariamente algum tempo para relações presenciais e atividades sem ecrãs.
Se sentir necessidade, reduza a utilização de forma gradual e realista.
O objetivo não é eliminar obrigatoriamente as redes sociais. Estas também podem facilitar a comunicação, o apoio e o sentimento de pertença. O mais importante é conseguir utilizá-las sem perder o controlo ou prejudicar o sono, as relações e as responsabilidades.
Quando procurar ajuda?
Procure apoio psicológico ou médico se a ansiedade for persistente, se o uso das redes interferir no sono ou na vida diária, ou se tiver dificuldade em reduzir a utilização apesar das consequências negativas.
Se este tema lhe é familiar, experimente observar durante alguns dias o efeito das redes sociais no seu humor e na sua ansiedade. Pequenas mudanças, como desligar notificações ou criar momentos sem ecrã, podem ser um primeiro passo para recuperar equilíbrio.
Base científica
A evidência atual encontra associações entre uso problemático das redes sociais, ansiedade, depressão, solidão e menor autoestima, mas não permite afirmar que as redes sociais sejam a causa direta desses problemas. O impacto varia de acordo com a pessoa, o contexto, o conteúdo e a qualidade da utilização.